renataCRESPO

E caminhando eu encontrei um alfaiate.

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Semana passada estive em Montevideo, e percebi que aquele país charmoso e com cara de caído, está se modificando bastante. Agora os carros que se vê pelas ruas são modelo do ano, e não mais aquele museu a céu aberta que era há pouco tempo atrás. E ao contrário de diversos prédios charmosos caindo aos pedaços, encontrei edifícios sendo restaurados e com a sua beleza revitalizada. 

Além de perceber que algumas das marcas argentinas que mais gosto estão lá agora, como a Vitamina e a Jazmin Chebar. Outro fato que mostra como esse país esta se revigorando é a rede Accor de Hotéis ter instalado ali um Sofitel, onde era o Casino de Carrasco. A reforma que manteve por fora as formas originais, por dentro tem toques de modernidade com peças estilo Philippe Stark(não sei se são deles mesmo). 

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Porém, o que eu mais gostei da viagem, foi ter encontrado, muito por acaso na Ciudad Vieja (Ciudadela), a parte mais antiga do centro, uma sastrería, ou seja, uma alfaiataria, exatamente nos moldes antigos. Com muitos tecidos planos muito bem acomodados em prateleiras, manequim de moulage, um provador, e uma biombo que dividia a parte onde os clientes são atendidos da parte onde o sastre costura, onde tinha a maquina de costura um painel na parede cheio de imagens de referência. 

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Como o alfaiate não estava lá no momento que em passei, e como falei foi muito por acaso, só consegui dar uma espiada muito breve e quem me atendeu foi uma moça. Não pude conversar com ele e nem tirar fotos do interior. :(

Mas encontrar algo assim, perdido no meio de uma cidade, e com o cuidado que tem naquele lugar foi um ótimo presente. Ainda mais pra mim, adepta aos serviços de alfaiataria desde muito tempo (minha alfaiate se chama Cecília, e faz roupas pra mim desde 2000 e bolinha) foi um belo momento, nota-se a minha cara de felicidade.

E isso tem muito a ver com o que vivemos hoje em dia, que se por um lado, a moda está cada vez mais sendo feita em grandes escalas, com indústrias, grupos e conglomerados com o monopólio de mercado, o pequeno, antigo e bem executado ainda tem seu espaço. Além de ter um público que o valoriza e gosta do que é bem feito, sob medida, e clássico. O fast fashion conquistou o seu espaço, mas o pequeno também esta (re)conquistando o seu. 

P.S.: hoje mesmo fui na D. Cecília buscar duas calças que havia mandado fazer antes da viagem. ;)

Blogueira feia e gorda?

Intitulado de Man Repeller o blog da americana Leandra Medine, tem destaque no mundo da moda. O significado do nome do site é algo como usar roupas que não atraiam o sexo oposto. Ou seja, aquelas coisas que estão na moda, que a gente adora, mas que sabe que não necessariamente são interessantes aos olhos masculinos. 

E falando sobre isso, e mais um monte de coisas interessantes a Leandra cativou ao público. Com um jeito descontraído, que chega até a ser desengonçado, sem maquiagem, e com um corpinho sem formas, ela tira fotos engraçados e não dá importância quando recebe críticas por ser exatamente como é. 

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Dá pra perceber bem o seu estilo nesse post, que ela com humor fala que tipo de roupa usar no verão novaiorquino para ser demitida, e alguns dos motivos que ela lista como uma razão para não usá-las é não ter depilado as pernas. Algo que as blogueiras normalmente não fazem, usar roupas que “não devem” e muito menos contar pra todo mundo que não está em dia com seus cuidados corporais. Até porque, normalmente, essas gurias são que mais cuidado tem com a sua beleza, ou pelo menos é o que dizem. 

Já Leandra, não ta nem aí pra isso:

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E se funciona? Bem, além de um site de sucesso no mundo todo, ela com seus 26 anos, já lançou livro e desenha coleções pra várias marcas. 

Outra blogueira com muita atitude e que não tem aí para o que pensam sobre ela é a Nadia Aboulhosn, com um corpo bem voluptuoso e um rosto expressivo, ela mostra que a moda não é só pras magrinhas. 

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Além de mostrar seus looks cheios de referências moda, ela inspira as suas leitoras. Normalmente os posts começam com uma citação meio no estilo “você consegue, garota, vai lá e faz”, e também pelo simples fato de ter um corpo diferente ao vendido pela indústria da moda e não ter a menor vergonha disso, já passa uma mensagem de auto confiança, de crer em si e se gostar do jeito que é. 

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E pra provar que nem só das secas o mundo da moda vive, ta aí a Nadia, modelo plus size e ícone fashion citada por vários sites e veículos:

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Nada funciona mais do que ser como se é, se descobrir e estar bem consigo mesma. Todos tem a sua beleza, é só questão de encontrar e descobrir o que fica melhor com o estilo de vida, gosto e corpo de cada um. 

;)

Não é só de gente perfeita que vive a moda

A gente esta super acostumado a ter padrões de beleza impostos por todos os lados. Tem que ser magra, tem que ser alta, tem que ter o cabelo assim ou assado. Se fala que a moda é só pra um tipo de pessoas. Mas isso tem vindo cada vez por água abaixo. 

Não é porque uma modelo precisa ter um corpo esguio e longelíneo para dar destaque as peças que veste que aquele seja o padrão ideal. Cada biotipo tem suas particularidades, seus defeitos e suas vantagens, inclusive o corpo das modelos. 

O divertido está em encontrar e descobrir como e o que favorece ao teu corpo. Quais dessas (muitas) tendências que estão espalhadas por aí, ficarão bem em ti. E quais delas a gente deve deixar passar. 

Há alguns anos a Dove, lançou essa campanha para “Mulheres Reais”, onde as gordurinhas e celulites não eram escondidas, mas mostradas sem constrangimento. 

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Recentemente também ficaram famosas as imagens documentadas  por Iain McKell no livro “The New Gypsies”, no qual ele passou anos acompanhando essa tribo de “ciganos contemporâneos”, que estão bem longe de seguir qualquer padrão de estética ou moda, e até mesmo de estilo de vida.

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Esses beduínos dos dias de hoje criaram uma nova maneira de viver e uma estética que é ao mesmo tempo natural, única e cheia de expressão. 

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Isso tudo para mostrar que estar “na moda” vai muito além de seguir tendências ou padrões. E sim, tem a ver com estar feliz e satisfeito consigo mesmo. Encontrar aquilo que te agrada, que faz com que tu te sintas melhor, do jeito que tu és. Não tem nada mais “fora de moda” do que fingir ser algo que não se é.